Quarta, 29.11.17 a Quinta, 30.11.17

Jornalismo e drogas: diálogos entre fonte e repórter

Nos dias 29 e 30 de novembro, a Fundação Friedrich Ebert-Brasil, em conjunto com o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) e a Plataforma Brasileira de Política de Drogas promovou o seminário “Jornalismo e drogas: diálogos entre fonte e repórter.”

  • Foto: FES Brasil

O Brasil registrou mais de 60.000 mortes violentas em 2016 (Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública), o maior número de homicídios da história e que equivalem, em número, às mortes provocadas pela bomba nuclear em Nagasaki. Apesar dos altos números, os governos gastaram 2,6% a menos com políticas de segurança pública em 2016 e a atual política de drogas em vigor no país é responsável pelo recrudescimento dessa situação.

Sabe-se que que o tráfico de drogas no Brasil é responsável por uma parcela expressiva desses homicídios e que, para além do recrudescimento da violência, a política de drogas também é responsável pela reprodução e manutenção da desigualdade sócio racial brasileira. Essa questão é de suma importância, pois os homicídios ocorrem, em grande medida, em regiões com desvantagens sociais concentradas. O preconceito e o estigma social e racial acabam fazendo com que haja um controle excessivo por parte das instituições de segurança e de justiça do estado o que resulta muitas vezes em violência policial e aprisionamentos arbitrários.

Estudos mostram que a imprensa trata usuários de maneira pejorativa, como “bêbados”, viciados e drogados. As reportagens contribuem para desinformação e dificultam ações de saúde. O debate sobre políticas de drogas envolve questões médicas, jurídicas, sociológicas e até filosóficas. É difícil transitar por tantas áreas com fluência. Portanto, é preciso que os jornalistas se prepare melhor.

Dada esta conjuntura, a Fundação Friedrich Ebert-Brasil, em conjunto com o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) e a Plataforma Brasileira de Política de Drogas promovem, nos dias 29 e 30 de novembro, o seminário “Jornalismo e drogas: diálogos entre fonte e repórter”.

Reunindo especialistas dos campos jurídico e da saúde e jornalistas de diversos veículos, o evento debateu os seguintes temas, contando com representações do Brasil, do México e do Uruguai: Drogas: desafios da cobertura jornalística​, onde foi feito um apanhado histórico universal de como drogas vem sendo relatadas na imprensa em diversos países desde o século XIX; Combate às drogas: cobrindo uma guerra, onde jornalistas relataram as agruras, dificuldades e desafios de realizar a cobertura, bem como os riscos que correm; Espaço público e o uso de drogas, onde se debateu o consumo de drogas em espaços públicos, com foco especial na região conhecida como Cracolândia em São Paulo; Drogas e saúde: uma perspectiva transversal do cuidado, onde se debateu o necessário enfoque de saúde pública na temática de drogas, bem como sobre a eficiência das campanhas preventivas, especialmente se comparadas com as campanhas de conscientização sobre o HIV; Drogas, justiça e segurança pública: oficialismo e maniqueísmo em debate​, onde foram tratados os efeito e desdobramentos da chamada 'Guerra às Drogas'  tanto no sistema prisional quanto no judiciário e de segurança pública.  A conclusão deu-se em um debate sobre Modelos regulatórios e publicidade, no qual se discutiram a fundo diversos modelos e abordagens à temática em países e cenários tão diversos quanto Holanda, Jamaica, Uruguai e Estados Unidos.

Na ocasião também foi lançado o Guia para jornalistas sobre droga, uma publicação conjunta da PBPD e do Social Science Research Council.​

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